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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

O meu corrupto é melhor que o seu


O meu corrupto é melhor que o seu
por Marcelo de Abreu e Lima em 22 de julho de 2014




Não tem jeito, não dá mais para enganar ninguém. Nós todos sabemos como é feita a política no Brasil: fisiologismo, toma lá dá cá, cartorialismo, coronelismo, curralismo, etc. CORRUPÇÃO na sua acepção mais ampla. Para nós ficou claro que isso independe do partido ou da pessoa que esteja no governo. A única diferença está na forma de fazê-la, em qual área usá-la com mais ênfase. Cada governo tem suas prioridades e precisa de mais velocidade e influência em determinados temas que lhe são mais caros. O debate ideológico é cheio de melindres e variáveis. Se você precisa aprovar algo rapidamente, discutir ideias, tentar chegar a um consenso e, em último caso, ir para a votação não são boas opções. Cooptar, estabelecer um troca troca, ou mesmo comprar com dinheiro e/ou cargo é bem mais fácil e rápido.

Falo isso porque a corrupção é um mal que nos persegue há séculos. Mas, durante o governo FHC/PSDB, tínhamos uma pretensa saída, tínhamos um partido que era considerado exemplo de ética, honestidade e coerência, tínhamos um Lula que dizia que ia “mudar a forma de se fazer política neste país”. Não aceitávamos as alianças do PSDB com o PMDB e outros. Não aceitávamos o “rolo compressor” da base aliada. Não aceitávamos a quantidade de Medidas Provisórias emitidas pelo governo. Não aceitávamos o salto gigantesco da carga tributária. A classe média, até então avessa à ideia de votar no Lula, cedeu diante do escárnio do quadro político brasileiro e votou no candidato do PT. Nessa época ela não era considerada ainda “egoísta e atrasada” pelo governo que ajudou a eleger. Nem existia também o PIG, Partido da Imprensa Golpista. Na verdade, a revista Veja e outras eram consideradas aliadas. Inúmeras vezes recebi por e-mail artigos desse periódico contra o governo FHC enviados por amigos petistas, socialistas e comunistas.

Mas a máscara caiu! O PT se mostrou igual ao que tanto criticou. Talvez até pior porque, se achando detentor da verdade e da boa intenção, não procurou nem esconder suas reais intenções. Fez e faz tudo à luz do dia. Foi assim com o Mensalão, engendrado no andar do Gabinete da Casa Civil em pleno Palácio do Planalto e ao lado do Gabinete da Presidência da República. Mas o Lula não sabia de nada. Esse fisiologismo petista está estampado ali na Esplanada dos Ministérios, para quem quiser ver, divididos em 39 repartições endereçadas aos partidos amigos. O meu temor é que outro partido que seja eleito se ache no direito de fazer as mesmas falcatruas. Se aquele, tido como honesto, fez e com anuência de boa parte do eleitorado, por que outro não o faria também?

Some-se a isso o fato de que a maior parte das denúncias de corrupção ou mal uso do dinheiro público nunca são provadas de forma definitiva, e raras terminam em condenação, prisão e ressarcimento. Ouve-se uma avalanche de acusações mas ninguém consegue afirmar de fato se elas procedem ou não. Os petistas acreditam nas acusações contra o Aécio e o PSDB. Nesse caso não se importam se elas vêm da Veja, do Estadão, da Folha, da Globo, etc. Se é contra o senador, então é verdade. O mesmo acontece do lado tucano. E nós, simples mortais que não possuímos fontes confiáveis, temos que aceitar dentro de nossas convicções ideológicas. Se eu sou socialista, o Aécio e o FHC são os corruptos. Se eu sou liberal, o Lula e a Dilma é que são.

Então tudo vira “o meu corrupto é melhor que o seu”. Sinceramente, sou muito cético em relação a política brasileira. Não vejo problemas com a histórica rivalidade liberalismo x socialismo, desde que se trave no plano ideológico. Com corrupção não há ideologia. Penso que o melhor para o Brasil seria diminuir o poder dos políticos e o tamanho do Estado. Os brasileiros não são o que poderíamos chamar de exemplo de confiabilidade, infelizmente! Ou melhor, são sim, mas não quando têm PODER. O poder corrompe, todos sabemos, mas é preciso uma pré disposição para isso. Se a máquina está desvirtuada de seu papel de prover políticas públicas do interesse geral, se a máquina está enferrujada, se a máquina está corrompida no seu coletivo, não tem ator político individual que vá reverter esta situação. O sujeito entra na política cheio de ideais pela porta da esperança e sai rico pela porta da corrupção. O meu consolo é que outros países souberam como acabar ou minimizar a má política. Tais países me acendem uma ponta de esperança quanto à mudanças. Se lá eles conseguiram, aqui podemos também.

Enquanto isso, vou torcendo para o meu candidato corrupto não se envolver em muitas encrencas e denúncias e que o outro meta os pés pelas mãos. No final, vou julgar qual corrupção para mim é mais palatável.
http://www.publikador.com/politica/marcelodeabreuelima/2014/07/o-meu-corrupto-e-melhor-que-o-seu/

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